Reportagem: Brenda Torssami
Pela primeira vez em sua história, a Fuvest incluiu exclusivamente autoras mulheres na lista de leituras obrigatórias para o vestibular da USP, válida entre 2026 e 2028. A decisão marca uma virada simbólica e pedagógica, ampliando o repertório literário dos estudantes e valorizando narrativas que, por muito tempo, ficaram à margem do cânone tradicional.
Com obras que atravessam diferentes épocas, estilos e territórios, a nova seleção revisita o papel feminino na literatura e propõe uma curadoria mais plural sobre o que deve ser lido e debatido no Ensino Médio.
Acompanhando esse movimento, o Britannica School destaca autoras presentes na lista com conteúdo que contextualizam suas trajetórias, obras e relevância na história da literatura. Os estudantes encontram materiais que aprofundam o entendimento das leituras, oferecendo apoio essencial para a preparação ao vestibular, com análise crítica, contexto histórico e abordagem interdisciplinar. Confira abaixo 4 autoras em destaque!
Clarice Lispector
Clarice Lispector alcançou fama internacional com obras que retratam uma visão altamente pessoal, quase existencialista, do dilema humano, escritas em um estilo de prosa marcado por vocabulário simples e estrutura de frases elíptica. Ela é notoriamente difícil de ser traduzida. Em contraste com as preocupações sociais regionais ou nacionais expressas por muitos de seus contemporâneos brasileiros, sua visão artística transcende tempo e lugar; suas personagens, geralmente femininas e em situações elementares de crise, são modernas ou brasileiras.
Rachel de Queiroz
Rachel de Queiroz foi criada por intelectuais em uma fazenda no sertão semiárido do estado do Ceará, no nordeste do Brasil, e essa região — com suas secas periódicas, cangaceiros, místicos do sertão e homens e mulheres esquecidos — ocupa um lugar central em sua obra. Seus talentos criativos foram reconhecidos desde cedo, e ela começou a trabalhar como jornalista no jornal regional O Ceará aos 16 anos. Seu primeiro livro, O quinze (1930), é um romance de gênero inovador que trata de famílias forçadas a abandonar suas casas durante a seca de 1915; a obra demonstra sensível atenção ao papel da mulher nessa sociedade semifeudal. Apesar de trazer marcas de um romance de estreia, o livro também se destaca por tentar refletir a linguagem falada, em vez da linguagem literária, e foi aclamado por críticos sofisticados no Rio e em São Paulo.
Paulina Chiziane
Primeira romancista moçambicana publicada, Paulina é um dos principais nomes da literatura africana contemporânea, no qual escreveu Balada de amor ao vento (1990), um romance que observa o passado africano de forma mais realista e menos romântica, misturando a fantasia do folclore com o realismo.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Eugénio de Andrade e Sophia de Mello Breyner Andresen estiveram entre os poetas mais destacados da segunda metade do século XX. Com versos sensíveis, Sophia desenha paisagens íntimas e grandiosas, chamando atenção para o cotidiano e o mar com delicadeza e precisão.
Fonte: Agência Fato Relevante
