O Perigo Invisível: Crianças e Objetos Estranhos no Corpo – Otorrino Alerta Pais Sobre Urgência e Cuidados

Reportagem: Gabriel Santos da Silva

A curiosidade natural da infância pode, em um piscar de olhos, transformar-se em uma emergência médica. A cena de crianças pequenas colocando objetos na boca, nariz ou ouvido é comum, mas o que parece inofensivo exige atenção triplicada dos pais e cuidadores. Ingestão, introdução ou aspiração de corpos estranhos é uma ocorrência mais frequente do que se imagina e demanda atendimento médico imediato.

Segundo a Dra. Raquel Rodrigues, otorrinolaringologista do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco, a exploração faz parte do desenvolvimento: “As crianças pequenas estão descobrindo o mundo, muitas na fase oral. Não fazem isso por maldade, mas por pura curiosidade e, por não terem noção do risco, acabam se machucando”, explica a especialista.

Quais Objetos São os Vilões?

Os corpos estranhos mais encontrados em crianças são inanimados: pedaços de brinquedos, miçangas, bolinhas de papel, grãos (feijão, milho) e, em casos de alto risco, pilhas de relógio.

“A gente vê de tudo: pedaços de brinquedo, tic-tacs, miçangas e até espuma de colchão”, comenta a Dra. Raquel. Objetos animados, como insetos, são mais raros em crianças, aparecendo mais em adultos, geralmente por exposição durante o sono ao ar livre.

Os Sinais de Alerta para Pais e Cuidadores

Os sintomas variam conforme o local onde o objeto está alojado:

  • No Ouvido: dor, incômodo, coceira ou zumbido. Se for um inseto, a dor é imediata. Com objetos pequenos, a dor pode ser ausente e o problema só é percebido no banho ou por inquietação da criança.
  • No Nariz: o sinal mais específico é a secreção com cheiro muito ruim, sempre de um lado só. “Quando há coriza fétida unilateral, a primeira suspeita deve ser de corpo estranho, não sinusite”, alerta a médica.
  • Na Boca/Engolido: o engolir objetos pode gerar engasgos ou aspiração para o pulmão, mas o release foca mais nas áreas de atuação da otorrinolaringologia (nariz e ouvido).

O Que NÃO Fazer em Casa

A Dra. Raquel é categórica: jamais tente retirar o objeto sozinho.

“Isso pode empurrar o objeto ainda mais fundo, causar ferimentos e, no caso do nariz, até provocar engasgo ou bronco aspiração, quando o objeto vai parar no pulmão”, avisa. A manipulação indevida já causou casos graves como perfuração da membrana timpânica e desarticulação da cadeia ossicular (estruturas essenciais para a audição).

Exceção em Casos de Insetos no Ouvido: Se houver suspeita de inseto, uma medida simples pode ajudar no caminho para a emergência: pingar um pouquinho de azeite ou óleo mineral. “Isso paralisa o inseto e alivia o incômodo, mas ainda assim é indispensável procurar o otorrino o quanto antes.”

Pilhas de Relógio: Risco Máximo

Um ponto de atenção crucial são as pilhas de relógio. “A pilha estoura rapidamente, liberando substâncias químicas que podem perfurar o septo nasal em pouco tempo. Nesses casos, cada minuto conta. É correr para a emergência”, enfatiza a otorrino.

Prevenção e Atitude dos Adultos

Todos os casos de corpo estranho são considerados urgências otorrinolaringológicas. “Não é algo para deixar para depois. Mesmo quando parece simples, deve ser avaliado por um profissional”, reforça a especialista.

O segredo para evitar os acidentes está na vigilância constante e na orientação.

  1. Vigilância: Manter objetos pequenos (botões, pilhas, miçangas e peças de brinquedo) fora do alcance das crianças. Ficar atento também durante as refeições, para que grãos de feijão ou milho não sejam colocados no nariz ou ouvido.
  2. Orientação: Os pais devem explicar à criança que ela não deve colocar nada no ouvido, nariz ou boca. “Às vezes a família acha graça e acaba reforçando o comportamento, e isso pode aumentar o risco de que o acidente se repita”, alerta a Dra. Raquel.

“A atenção precisa ser triplicada nessa fase de descobertas. E, se acontecer, não entre em pânico — mas procure ajuda médica imediatamente. O olhar atento e o cuidado dos adultos fazem toda a diferença para evitar acidentes e preservar a saúde dos pequenos”, finaliza a Dra. Raquel Rodrigues.

Fonte: Target Estratégia em Comunicação

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