Como liderar equipes formadas por diferentes gerações?

Reportagem: Artur Lopes

A convivência entre Baby Boomers, Geração X, Millennials e Geração Z dentro das empresas é cada vez mais comum. Mas, embora a diversidade de perfis possa enriquecer o ambiente de trabalho, ela também traz desafios práticos de gestão. Segundo a pesquisa “Panorama de Sentimentos das Lideranças”, da escola corporativa Sputnik, 8 em cada 10 gestores afirmam ter dificuldades para liderar times compostos por diferentes gerações.

A questão é sensível, sobretudo quando envolve a Geração Z. De acordo com o relatório “Tendências de Gestão de Pessoas”, do Great People & GPTW, 68,1% das empresas entrevistadas dizem ter dificuldades com essa faixa etária, composta por pessoas nascidas entre 1996 e 2010. Em contrapartida, a geração Baby Boomer gera entraves para apenas 11,4% das companhias.

Para Paulo Vieira, presidente da Fedracis, escola de negócios com foco no desenvolvimento de líderes e profissionais, essa aparente incompatibilidade tem solução e pode ser, inclusive, uma vantagem estratégica. “O primeiro passo é entender que a idade não determina competência. Existem jovens líderes extremamente preparados e profissionais experientes com muita abertura para inovação. Cabe ao gestor identificar o talento e adaptar a liderança a ele”, explica.

O especialista descreve que, na prática, isso significa ajustar a cultura organizacional para que todos se sintam ouvidos e respeitados. A Geração Z, por exemplo, valoriza feedbacks frequentes, autonomia para trabalhar em projetos criativos e um ambiente que promova inclusão e diversidade. Já os profissionais mais experientes podem priorizar estabilidade, plano de carreira e reconhecimento. Segundo uma pesquisa da consultoria PwC, empresas que respeitam essas individualidades e implementam políticas de diversidade geracional têm 21% mais chances de superar seus concorrentes em lucratividade.

Nesse contexto, o presidente da Febracis destaca a importância de capacitar as lideranças. “Muitos conflitos entre gerações acontecem porque os gestores não foram preparados para lidar com a diversidade de valores e expectativas. Programas de desenvolvimento emocional, comunicação assertiva e empatia precisam fazer parte da rotina de quem lidera”, aponta Paulo Vieira.

“Um líder preparado é aquele que entende que seu time é plural. O desafio é aprender a liderar respeitando essas diferenças, e não tentando apagá-las”, conclui Paulo Vieira Quando isso acontece, o desempenho da equipe muda completamente”,. Dados da Feedz reforçam essa visão: 78% das empresas brasileiras afirmam que pretendem investir em programas de treinamento intergeracional.

 

Fonte: The Lever

 

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