Especialistas apontam possíveis temas para a #redação do #Enem 2026

Por: Tadeu Donizete *

Imagem de Michi S por Pixabay

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 se aproxima e, com ele, cresce a tradicional ansiedade dos estudantes em relação ao tema da redação. Historicamente tratado como um dos segredos mais bem guardados do país pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o assunto da prova dissertativa-argumentativa só é revelado quando os cadernos são abertos pelos candidatos. No entanto, o termômetro dos debates sociais e políticos ao longo do ano já dá pistas claras de onde os elaboradores da prova podem mirar.

Professores e especialistas em cursinhos pré-vestibulares apontam que o Enem costuma priorizar problemas sociais crônicos, desafios de cidadania e os impactos de novas realidades na vida dos brasileiros. Para 2026, as apostas se concentram em quatro grandes eixos temáticos: tecnologia, meio ambiente, saúde mental e inclusão.

A urgência da era digital: IA e Apostas Online

No campo da tecnologia, a discussão deixou de ser sobre “o futuro” e passou a ser uma urgência do presente. Um dos temas mais cotados por especialistas é a regulamentação das ferramentas de Inteligência Artificial, englobando debates éticos sobre direitos autorais, o avanço das deepfakes e o impacto no mercado de trabalho.

Outro assunto que ganhou as mesas de debate público e que aparece forte nas listas de apostas é a regulamentação dos jogos de aposta online (bets). O desafio de equilibrar a liberdade econômica com a proteção financeira e a saúde mental da população vulnerável é visto como um prato cheio para o perfil de proposta de intervenção exigido pelo Enem. Completando o eixo tecnológico, os desafios da alfabetização mediática e o combate à desinformação digital continuam no radar.

Justiça Climática e Meio Ambiente

Com o aumento da frequência de eventos climáticos extremos no Brasil, o eixo ambiental deve vir com um forte viés social. Professores apostam no conceito de justiça climática (ou racismo ambiental), que discute como os desastres naturais — como enchentes e secas históricas — não afetam a população de forma igualitária, penalizando severamente as comunidades periféricas e em situação de vulnerabilidade.

Saúde Mental na Era das Telas e Proibição de Celulares

A relação dos jovens com o ambiente digital também é uma forte candidata. A saúde mental dos adolescentes, o vício em estímulos rápidos e a ansiedade gerada pelas redes sociais são temas recorrentes em discussões pedagógicas.

Ligado a isso, o debate sobre os desafios para o uso de dispositivos tecnológicos nas escolas ganhou força recente com projetos de lei que buscam restringir ou proibir o uso de celulares em sala de aula, visando melhorar o foco e a socialização dos estudantes — um cenário real que os candidatos podem ser chamados a analisar.

Direitos Humanos e Inclusão Social

Fiel à sua tradição de dar visibilidade a minorias, o Enem pode caminhar para os desafios da inclusão de pessoas neurodivergentes, avaliando a preparação das escolas e do mercado para acolher indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou TDAH. Caminhos para combater a misoginia na internet e os impactos da gordofobia estrutural na dignidade humana também figuram entre os eixos de direitos humanos mais cotados para o exame deste ano.

Especialistas reforçam que, mais importante do que adivinhar o tema exato, o candidato deve focar em dominar a estrutura da redação do Enem e construir um repertório sociocultural abrangente — como os direitos garantidos pela Constituição Federal de 1988, que pode ser aplicado a praticamente qualquer problema social que a banca escolher.

Nosso Chute!

Se eu fosse apontar os 5 temas que mais aparecem nas apostas atuais, seriam:

  • Impactos da Inteligência Artificial na sociedade.
  • Saúde mental dos jovens e uso excessivo de telas.
  • Proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
  • Desafios das mudanças climáticas nas cidades brasileiras.
  • Combate à desinformação nas redes sociais.

* Tadeu Donizete é Pedagogo, Professor e Jornalista

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